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ARTIGO: “ Tarifaço americano: Santa Catarina precisa proteger mercados e abrir novos”. Por Paulo Bornhausen
Por floripanews.online
Publicado em 26/07/2026 18:37
Cidade

Por Paulo Bornhausen

Secretário de Articulação Internacional de Santa Catarina

 

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos recolocam o comércio internacional em um ambiente de maior incerteza. Embora o debate se concentre nos impactos imediatos sobre as exportações brasileiras, a questão central é mais ampla: como responder a uma ordem econômica marcada por protecionismo, disputas geopolíticas e mudanças frequentes nas regras do comércio mundial.

 

Esse movimento não deve ser tratado como um episódio isolado. Tarifas, subsídios,

barreiras técnicas e políticas industriais passarão a influenciar cada vez mais as decisões de empresas e governos. A nova realidade exigirá capacidade de reação no curto prazo, mas também visão estratégica para reduzir dependências e ampliar alternativas. Santa Catarina está inserida nesse desafio.

 

O Estado possui uma das economias mais industrializadas e diversificadas do Brasil, forte

presença de pequenas e médias empresas exportadoras, cultura empreendedora,

capacidade de inovação e uma estrutura produtiva integrada aos mercados internacionais.

 

Setores como madeira e móveis, máquinas e equipamentos, metal mecânico, motores

elétricos, cerâmica, têxtil, alimentos, proteínas animais, papel e celulose, tecnologia e

embarcações dependem de acesso competitivo aos principais mercados do mundo.

 

Por isso, o tarifaço americano precisa ser enfrentado em duas frentes, sendo a primeira

emergencial.

 

Por decisão do governador Jorginho Mello, o Governo de Santa Catarina apoia os setores

diretamente atingidos pelas novas tarifas. O objetivo é preservar empresas, empregos,

produção e capacidade exportadora enquanto o novo cenário comercial é absorvido.

 

Esse apoio é necessário porque os impactos não se limitam às grandes empresas. Eles

chegam aos fornecedores, transportadores, produtores, prestadores de serviços e

municípios que dependem dessas cadeias produtivas. Proteger a atividade econômica

neste momento significa preservar um patrimônio industrial construído ao longo de décadas.

 

A segunda frente deve ser estrutural: dobrar os esforços para abrir novos mercados aos

setores mais atingidos.

 

A diversificação de destinos precisa tornar-se uma política permanente. Quanto maior o

número de países atendidos pelas empresas catarinenses, menor será a dependência de

qualquer mercado específico e maior será sua capacidade de enfrentar crises, barreiras oumudanças regulatórias. É nesse contexto que a agenda internacional de Santa Catarina

assume importância ainda maior.

 

O Estado deve aprofundar relações com a União Europeia, a Ásia, o Oriente Médio, a

América Latina e a África, ampliar sua presença institucional no exterior e aproximar

empresas catarinenses de compradores, investidores e parceiros tecnológicos. Não se trata apenas de vender mais, mas de construir relações econômicas duradouras.

 

O Acordo Mercosul-União Europeia representa uma das principais oportunidades desta

estratégia. A redução gradual de tarifas poderá ampliar a competitividade dos produtos

catarinenses, facilitar o acesso a tecnologias e equipamentos e estimular novos

investimentos industriais.

 

Da mesma forma, os avanços na cooperação digital entre Brasil e União Europeia criam

oportunidades em inteligência artificial, infraestrutura digital, serviços tecnológicos e

economia de dados. Santa Catarina reúne condições para ocupar espaço relevante nessa

nova fronteira, pela qualidade de suas universidades, pela força de seu ecossistema de inovação e pela presença de empresas de tecnologia.

 

O Estado também possui vantagens importantes na disputa por investimentos internacionais: segurança pública, ambiente institucional estável, mão de obra qualificada,

forte base industrial, portos competitivos e reconhecida capacidade empreendedora.

Esses atributos, entretanto, precisam ser transformados em resultados. Será necessário

fortalecer a internacionalização das pequenas e médias empresas, ampliar os mecanismos

de inteligência comercial, apoiar certificações internacionais, facilitar o acesso a crédito e

seguro de exportação, qualificar profissionais e acelerar investimentos em logística e

infraestrutura.

 

Também será fundamental identificar, setor por setor, os mercados com maior potencial de

absorção dos produtos atingidos. A resposta precisa ser precisa, coordenada e orientada

por resultados.

 

A nova ordem mundial será marcada por maior instabilidade comercial. Governos utilizarão

tarifas para proteger indústrias, disputar empregos, atrair investimentos e fortalecer cadeias produtivas consideradas estratégicas.

Santa Catarina não pode controlar as decisões das grandes potências, mas pode decidir

como responder a elas. A resposta catarinense deve ser de apoio imediato a quem foi

atingido, defesa do emprego e da produção e uma ofensiva permanente pela abertura de

novos mercados.

 

O tarifaço americano impõe dificuldades, mas também reforça a convicção de que internacionalizar mais, diversificar mais e competir melhor deixaram de ser apenas objetivos econômicos. Tornaram-se condições para proteger o futuro de Santa Catarina.

Mais do que reagir a uma crise, o Estado precisa se preparar para uma nova realidade. E

Santa Catarina está pronto para enfrentá-la.

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